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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Animal escolhido para ser o mascote da Copa corre perigo na natureza

Mascote da Copa é um tatu-bola, animal que só existe no Brasil.  Ação de caçadores deixa cada vez mais difícil encontrá-lo na natureza.

O mascote da Copa do Mundo, o Fuleco, é um tatu-bola, animal que só existe no Brasil. Ele vive entre as áreas de cerrado e da caatinga, na região Nordeste, e, por causa da ação de caçadores, está cada vez mais difícil encontrá-lo na natureza. Nos últimos 10 anos, o número de exemplares diminuiu pela metade, vítimas dos desmatamentos, das queimadas e da caça. Tem até a receita para temperar o tatu.

Na divisa entre o Piauí e o Ceará, na Serra das Almas, integrantes da Associação Caatinga tentam conscientizar a população para impedir a caça ao tatu-bola.

A única forma de defesa do animal é fechar a carapaça em forma de bola, quando se sente ameaçado. Isso o protege dos outros bichos da floresta, mas não dos caçadores. “Ele estando fechado não tem quem abra. Nem a onça”, diz Francisco da Silva, agricultor. Na caatinga, além do tatu-bola, existem outras três espécies: o tatu-peba, o galinha e o china.

Os guardas-parques da Associação Caatinga apreendem armadilhas de caça. Tem até uma espingarda com cartucho.

Impedir a caça e combater os desmatamentos são as metas dos ambientalistas. Uma das ações para proteger as áreas que estão sendo devastadas é o replantio da vegetação original. A Associação Caatinga está criando mudas para incentivar o reflorestamento.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela preservação das espécies, aprovou recentemente um plano nacional para a preservação do tatu-bola. Pelos dados do ICMBio, a população desses animais foi reduzida em mais de 50% nos últimos 10 anos.

Em Pernambuco, há uma campanha para transformar uma parte da caatinga ainda preservada no sertão, em Parque Estadual Tatu-Bola. "Considerando que o tatu-bola é uma espécie em grave risco de extinção, se nada for feito nesses próximos anos, nós iremos perder esta espécie para sempre, ela vai ser varrida do mapa de todas as caatingas, um bioma exclusivamente brasileiro", diz José Alves Siqueira, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Se os pesquisadores perderem o jogo decisivo, na tentativa de salvar a espécie, o Fuleco vai ser lembrado no futuro, apenas como uma obra de artesanato, entalhada na madeira.

Fonte: Francisco José Do Globo Rural, com informações do Globo Natureza - g1.globo.com

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Estudo encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares

Expedição feita em 2010 coletou mais de 3 mil amostras oceânicas. Estima-se que oceano tenha entre 10 mil e 40 mil toneladas de plástico.

 Foto de 2008 mostra detritos na Baía de Hanauma, no Havaí (Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)  

Até 88% da superfície dos oceanos do mundo está contaminada com lixo plástico, elevando a preocupação com os efeitos sobre a vida marinha e a cadeia alimentar, afirmaram cientistas nesta segunda-feira (30).

Os produtos plásticos produzidos em massa para brinquedos, sacolas, embalagens de alimentos e utensílios chegam aos mares arrastados pela água da chuva, um problema que deve piorar nas próximas décadas.

As descobertas, publicadas no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS"), se baseiam em mais de 3 mil amostras oceânicas, coletadas ao redor do mundo por uma expedição científica em 2010.

"As correntes oceânicas carregam objetos plásticos, que se partem em fragmentos menores, devido à radiação solar", disse o diretor das pesquisas, Andrés Cozar, da Universidade de Cádiz, na Espanha.
"Estes pequenos pedaços de plástico, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detectados em 88% da superfície oceânica analisada durante a Expedição Malaspina 2010", acrescentou.

Os cientistas avaliaram que a quantidade total de plástico nos oceanos do mundo - entre 10 mil e 40 mil toneladas - atualmente é menor do que as estimativas anteriores. No entanto, levantaram novas preocupações sobre o destino de tanto plástico, particularmente os pedaços menores.

O estudo revelou que os fragmentos de plástico, "entre alguns mícrons e alguns milímetros de tamanho, são sub-representados em amostras da superfície do mar".

Mais pesquisas são necessárias para descobrir aonde estas partículas vão e quais os efeitos que têm na vida marinha.

"Estes microplásticos têm influência no comportamento e na cadeia alimentar de organismos marinhos", disse Cozar. "Mas provavelmente, a maioria dos impactos relacionada à poluição do plástico nos oceanos não é conhecida", concluiu.

Fonte: g1.globo.com

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Brasil reduz emissões de carbono na atmosfera

Estudo aponta um declínio de 70% no desflorestamento da Amazônia, que representa 3,2 bilhões de toneladas de CO2 a menos na atmosfera

Amazônia: desde 2004, 86.000 quilômetros quadrados de floresta foram poupados do desmatamento

Um estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira mostrou que, de 2004 a 2013, o Brasil reduziu em 70% o desflorestamento da Floresta Amazônica e emitiu 3,2 bilhões de toneladas de CO2 a menos na atmosfera. Nesse período, 86.000 quilômetros quadrados da floresta foram poupados do desmatamento, uma área que corresponde a 14,3 milhões de campos de futebol, sem que a produção agrícola do país fosse reduzida.
 
Na pesquisa, dezessete pesquisadores brasileiros e americanos concluíram que a mudança foi impulsionada por uma combinação de políticas públicas, rejeição do mercado ao desflorestamento e um aumento de áreas protegidas. Os autores acreditam que o sucesso brasileiro mostra o potencial dos países tropicais de produzirem mais alimentos sem destruir florestas, mas destacam que esse avanço pode ter pouca duração sem mais incentivos para os fazendeiros.

"Os ganhos são significativos, mas frágeis. Nós estamos atingindo o limite do que pode ser obtido com medidas punitivas. À medida em que a demanda mundial por soja e carne começar a crescer novamente, vai ser necessária uma nova abordagem para manter a devastação contida na Amazônia", afirma Daniel Nepstad, diretor do Earth Innovation Institute e principal autor do estudo.

Entre 1999 e 2004, a Amazônia foi intensamente pressionada pela expansão em larga-escada da produção de soja. Florestas foram derrubadas em quantidades alarmantes, apesar de o Código Florestal determinar que os agricultores deveriam manter 80% de suas propriedades com floresta nativa. De 2005 a 2007, a margem de lucro da soja caiu, possibilitando uma mudança. Após muita negociação, os principais compradores de soja produzida na Amazônia decidiram apoiar um acordo de fazer negócios apenas com produtores cujas terras haviam sido desmatadas antes de 2006, o que incentivou os fazendeiros a usar as terras que já possuíam de forma mais produtiva.

Em 2008, uma nova medida fez com que os fazendeiros pudessem ser banidos do crédito agrícola se suas terras tivessem alto desflorestamento. Paralelamente, a área da Amazônia destinada à preservação foi ampliada. "Os produtores melhoraram suas práticas, e isso tem a ver com essa exigência dos compradores, com a melhora do monitoramento e com a união da parte econômica", disse ao site de VEJA Ane Alencar, diretora do programa Cenários para a Amazônia do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe que realizou o estudo.

Desde o início dessa pesquisa, em 2004, o ano de 2013 foi o primeiro que apresentou aumento na derrubada de floresta, que foi de 28%. Os pesquisadores, porém, ainda não sabem se isso representa uma tendência de elevação ou apenas a retomada da estabilidade: com 4.570 quilômetros quadrados desmatados, 2012 tinha sido o ano com a menor perda florestal. "Apesar do aumento, 2013 ainda foi o ano com a segunda menor taxa de desmatamento de todo o período de monitoramento, com 5.840 quilômetros quadrados", explica Ane. Em 2004, antes da redução, o desmatamento chegou a quase 28.000 quilômetros quadrados.

Incentivos — Os pesquisadores, no entanto, começam a se preocupar com a manutenção desse padrão. "Se continuarmos apenas com as punições e medidas de restrição econômicas, chega um momento em que, se não houver incentivos positivos, principalmente para aqueles que estão fazendo a coisa certa, a gente pode reverter todo esse ganho", diz Ane. A pesquisadora sugere que os produtores considerados exemplares tenham acesso a créditos com juros mais baixos ou vantagens na venda de seus produtos, por exemplo.

A redução da destruição da Amazônia é importante não apenas para o Brasil, mas para o resto do mundo: o maior potencial para a expansão agrícola hoje é encontrado no Brasil e em outros países tropicais, e a perda de floresta tropical é responsável por 15% das emissões de dióxido de carbono global. "O grande desafio da atualidade é produzir mais alimentos, para mais pessoas, em áreas menores de terra, e ao mesmo tempo reverter a perda de florestas tropicais", explica Nepstad. "O Brasil tem mostrado ao mundo que isso pode ser feito”, completa. "Agora, temos de mostrar que a diminuição drástica do desmatamento que temos alcançado pode se tornar permanente – e que é realmente possível manter 80% da floresta em pé para gerações futuras”, afirma Ane.

Mudança — Para Ane, a grande redução no desmatamento que ocorreu de 2004 para cá, o que pode explicar a pesquisa divulgada ontem, que coloca o Brasil como o país que mais perde cobertura florestal por ano no mundo. O estudo, realizado pela ONU, leva em consideração dados de 1990 a 2010, enquanto o monitoramento atual usa dados de 2004 a 2013.

Fonte: Veja.abril.com

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Brasil é o país que mais perde florestas por ano, diz ONU

Metade das espécies florestais do mundo está ameaçada por causa da agricultura e das mudanças climáticas, mostra primeiro estudo global sobre recursos genéticos florestais

 Floresta Amazônica na região do Rio Negro no Amazonas

Metade das espécies florestais do mundo está ameaçada por causa da agricultura e do impacto das mudanças climáticas e o Brasil é o país que mais perde cobertura florestal por ano em todo o mundo, alertou a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), nesta terça-feira. 

Os dados são do primeiro estudo global sobre recursos genéticos florestais, que mapeou as 8.000 espécies de árvores e vegetais mais utilizadas pelo homem em 86 países. Desse total, cerca de 2.400 são cultivadas com técnicas adequadas e apenas 700 espécies são desenvolvidas por meio de seleção ou melhoramento genético. 

“As florestas fornecem alimento, bens e serviços essenciais para a sobrevivência e o bem estar da humanidade. Esses benefícios dependem da manutenção do rico estoque de diversidade genética contido nas florestas do mundo, que está em risco”, afirmou Eduardo Rojas-Briales, um dos diretores da FAO, no comunicado do órgão. 

Campeões do desmatamento — De acordo com o estudo, os dez países que mais perderam cobertura florestal entre 1990 e 2010 foram Brasil, Indonésia, Nigéria, Tanzânia, Zimbábue, República Democrática do Congo, Birmânia, Bolívia, Venezuela e Austrália. Estima-se que existam entre 80.000 e 100.000 espécies florestais em todo o mundo e essa biodiversidade é o que impulsiona a melhora da produção e qualidade de vegetais usados para a alimentação. Além disso, a variabilidade genética protege o ambiente de pestes e garante a capacidade de adaptação a condições naturais favoráveis, incluindo as causadas por mudanças climáticas. 

O estudo alerta para uma ação urgente para melhor administrar as florestas e seus recursos genéticos, para que a biodiversidade seja mantida a longo-prazo. Além disso, pede o comprometimento dos países para desenvolver programas nacionais para garanti-la.

Fonte: Veja.abril.com.br